Com fracassos em Angola: Empresas de bebidas portuguesas voltam-se para Moçambique
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(2012-06-06) Os principais grupos portugueses do sector de bebidas já manifestaram interesse em construir unidades industriais em Angola. Contudo, os projectos anunciados há anos – pela Unicer, Sumol+Compal e Sociedade Central de Cervejas (SCC) – continuam sem 'sair do papel'. Ao contrário dos investimentos previstos para Moçambique, que avançam a ritmo acelerado.
A fábrica do grupo de refrigerantes Sumol+Compal é um dos exemplos. Este ano a empresa liderada por Duarte Pinto anunciou que iria investir oito milhões de euros numa fábrica em Moçambique. Projecto esse que já foi aprovado pelas autoridades moçambicanas e deverá arrancar ainda este semestre.
O CEO da Sumol+Compal refere, porém, que o investimento em Moçambique não foi acelerado pelo atraso do projecto em Angola, que aguarda luz verde para avançar. «Andámos dois anos a estudar África. Coincidiu que Moçambique fosse um projecto possível de implementar no mais curto espaço de tempo», explica Duarte Pinto. «Estamos convictos de que vamos realizar um segundo projecto em Angola e temos a ambição de colocar outros projectos em África», disse ainda.
O atraso deve-se à mudança do quadro legal do investimento privado em Angola, pelo que «houve necessidade de reformular o âmbito do projecto».
As vendas da dona da Compal em África aumentaram 38,5% em 2011. E do total dos 20 países deste continente onde a Sumol+Compal tem presença, Angola é o principal mercado. Já nos três primeiros meses deste ano, as contas do grupo português foram menos positivas, tendo registado um prejuízo de 2,5 milhões de euros,
Recentemente foi a vez da dona da Super Bock anunciar os seus planos: a criação de uma base industrial em Moçambique. «É uma hipótese que estamos a analisar, mas é prematuro falar do assunto», confirmou ao jornal SOL António Pires de Lima, CEO da Unicer, sublinhando «que é um projecto independente de Angola».
Há seis anos a Unicer manifestou interesse em construir uma fábrica em Angola, o principal destino de exportação de cerveja das marcas Cristal e Super Bock, do grupo português. Esta intenção «foi-se arrastando ao longo dos anos, o que é negativo para a Unicer», lamenta António Pires de Lima. «Estamos à espera do capital necessário dos nossos accionistas locais, que detêm 49% deste investimento», acrescenta.
Pires de Lima acredita, contudo, que a fábrica ainda há-de ver a luz do dia, e que em 2012 terá desenvolvimentos.
Mesmo sem experiência na implementação de projectos no mercado moçambicano, o CEO acredita que o processo será mais ágil do que em Angola.
A SCC, dona da Sagres e da Cergal, também faz parte do grupo das empresas lusas que lutam, há anos, para construir um projecto de raiz em Angola.
Questionado pelo SOL sobre o ponto de situação deste projecto, Nuno Pinto Magalhães refere que «quando for oportuno a empresa falará sobre o tema».