Televisão síria pró-regime atacada por comando armado
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(2012-06-28) Um grupo de homens armados lançou nesta quarta-feira de manhã um ataque ao edifício de um canal de televisão privada pró-regime do Presidente Bashar al-Assad, na Síria, causando a morte a pelo menos três pessoas, de acordo com media estatais sírios.
Segundo a agência noticiosa Sana, os atacantes conseguiram passar os portões do complexo da Ikhbariya TV, e fizeram explodir vários dos edifícios, que se localizam na cidade de Drusha, a cerca de 20 quilómetros para sul da capital, Damasco.
Imagens de televisão de outros canais mostravam esta manhã a sede do canal com zonas em ruínas e a deitar grossas colunas de fumo, outras ainda em chamas. “Ouvi uma pequena explosão e logo de seguida uma muito grande e os homens com armas irromperam pelo edifício. Viraram do avesso alguns dos gabinetes e destruíram a redacção quase por completo”, descreveu um dos funcionários do canal, citado pela Sana.
O ministro da Informação, já no local do ataque, afirmou que as três vítimas mortais confirmadas foram sequestradas, atadas e, finalmente, “assassinadas a sangue frio”. A Ikhbariya TV foi uma das empresas ligadas ao regime de Assad visadas com sanções pela União Europeia na passada segunda-feira.
Ontem à noite, o Presidente sírio, Bashar al-Assad – que enfrenta uma revolta há mais de 15 meses –, disse que o país está “num estado de guerra total”, asseverando que todas as forças de segurança e militares estão determinadas “em vencer”. “Estamos em guerra por todos os lados. E numa guerra, todas as políticas e todos os sectores têm que ser direccionados para vencer a guerra”, afirmou, numa significativa mudança de retórica sobre o movimento de rebelião no país, já avaliado por muitos líderes ocidentais como uma “guerra civil”, e na qual morreram já mais de 12 mil pessoas.
Assad, fortemente criticado pela comunidade internacional pela forma como reprimiu violentamente as primeiras manifestações contra o seu Governo, que eclodiram em Março de 2011, considerou ao longo de todo este tempo que está a enfrentar “grupos de criminosos armados” e “terroristas com o apoio de influências estrangeiras”.
Em discurso ao recém-empossado Governo, a que Assad deu aval por decreto na semana passada, o Presidente sírio criticou duramente os países que defendem o seu afastamento do poder, e acusou as potências ocidentais de “receberem e nunca darem nada”: “E isto tem sido demonstrado a todos os níveis”, sustentou.
Apesar de ter vindo a enfrentar cada vez mais numerosas deserções no exército que lhe é leal – algumas com o aparato do piloto que fugiu para a Jordânia com um MiG na semana passada – Assad continua a gozar de sólido apoio no círculo que lhe é mais próximo, contando com a lealdade de altas patentes militares.
Ao mesmo tempo que decorria o ataque à Ikhbariya TV, eram registados fortes combates entre as tropas do regime e os combatentes da rebelião nos subúrbios de Damasco – segundo alguns activistas ouvidos pelas agências noticiosas os mais violentos nestes últimos 15 meses, com um balanço estimado em dezenas de mortos.
Segundo o Observatório sírio dos Direitos Humanos (organização com sede em Londres e uma vasta rede de activistas na Síria), estes combates ocorreram junto a posições mantidas pela Guarda Republicana, a unidade liderada pelo irmão mais novo de Assad, Mahed, cujo papel é o de protecção da capital.