(2012-06-28) A polícia tanzaniana questionou ontem 74 imigrantes ilegais que viajavam num camião lotado em que outros 42 ocupantes foram encontrados mortos por asfixia, revelou France Press uma fonte do ministério do Interior.
As vítimas foram asfixiadas num camião em que viajavam “mais de 100 pessoas”. “Eu não posso dizer com certeza quem são eles, mas parecem somalis ou etíopes”, disse a fonte.
O vice-ministro do Interior, Silima Pereira, disse por seu lado, que relatórios iniciais indicaram que os imigrantes viajavam de Arusha (norte da Tanzania) para Mbeya (sul), de onde iriam continuar a viagem até ao Malawi”.
“Os funcionários e agentes de imigração interrogavam ontem os sobreviventes para determinar as identidades das vitimas e dos sobreviventes, incluindo as nacionalidades”, disse a fonte.
Ainda segundo a mesma fonte, o motorista do camião “surpreendeu-se” com as vítimas depois de ouvir gritos. “Depois, ele abandonou o camião e fugiu”, acrescentou ainda a mesma fonte.
“Precisamos de realizar entrevistas extensas e, em seguida, contactar as autoridades dos respectivos países antes de tomar as medidas legais”, esclareceu o vice-ministro.
Fontes policiais disseram que os corpos de 42 pessoas encontrados mortos na terça-feira foram mantidos em hospitais da área onde o camião foi descoberto, Dodoma, 400 quilómetros a oeste de Dar-Es-Salaam, a capital comercial da Tanzania.
Na semana passada, pelo menos 47 imigrantes etíopes morreram no Lago Malawi quando a embarcação sobrecarregada na qual seguiam aparentemente da Tanzania para chegar clandestinamente àquele país se virou. Uma autoridade malawiano disse então que o acidente ocorreu perto da fronteira com a Tanzania.
Centenas de etíopes tentam regularmente entrar no Malawi pela Tanzania, cuja fronteira é relativamente permeável, com o objectivo de chegar à África do Sul.
Em Dezembro de 2011, 20 somalis ilegais foram encontrados mortos na Tanzania. As vítimas, provavelmente mortos por asfixia, tinham sido abandonadas no mato, segundo fonte da Polícia.
O porta-voz do MNE, Isaac Nantanga, explicou que cada vez mais etíopes e somalis atravessam a Tanzania para tentar entrar na África do Sul ou na Europa.
Nas duas últimas décadas, centenas de milhares de somalis fugiram de um estado permanente de guerra civil e secas que afectam o seu país, muitas vezes encontrando refúgio na Etiópia, no Quénia, ou na própria fronteira da Tanzania.